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Medicamento ou veneno?

Contribuição do leitor Daniel Chutorianscy, médico. Enviado por Vanderley Caixe, Brasil. O símbolo da Medicina é uma cobra enrolada, com a seguinte frase:” Sedarem dolorem opus divinus est”,ou seja: “Sedar a dor é um ato divino”.  Mas, como na vida tudo é relativo, vai lá uma pergunta: medicamento ou veneno?


Na antiguidade grega, a Medicina era um grande sacerdócio, mas foi mudando, mudando até se tornar um grande negócio. O lucro passou a ser o medicamento. O veneno mais eficiente encontrado hoje é o modelo capitalista, que envenena as massas trabalhadoras com seu ódio, desprezo pelas pessoas, pelo trabalho justo e produtivo, pela falta de justiça, pela ausência da reforma agrária, pelo envenenamento com os agrotóxicos produzido pelo agronegócio… Lucro, lucro, lucro sempre o lucro, e tome uma mídia totalmente envenenada.


O aumento da média de vida da população aconteceu muito mais em função das conquistas sociais bancadas pela população trabalhadora do que propriamente pelas conquistas científicas. As conquistas sociais sempre foram um medicamento voltado para a Saúde, ao passo que as conquistas cientificas sempre foram voltadas para combater as doenças.  Uma complementa a outra…mas e o veneno?

O modelo capitalista sempre foi o veneno, na sua forma mais avançada: o imperialismo, que, na fobia de impedir qualquer vestígio de luta de classes, tenta esmagar com a doença, alienação, desinformação, deseducação…Ou seja: o modelo capitalista precisa desesperadamente da doença.  Manter a população adoecida é manter o controle.  Doença e lucro mantêm essa cobra venenosa ativa e raivosa.

As elites são iguais em qualquer lugar do planeta. Mantêm seus enormes “bolsos-familias” plenos de venenos, corrupção e artimanhas, criam leis para seu próprio benefício, mostram o “pau” e escodem sempre a cobra. Lucro com o “pão e circo”, lucro com as doenças de massa produzidas pela forma totalmente insalubre ou insana da produção de bens e insumos inteiramente administrada pelo envenamento da “mais e cada vez mais-valia” e o lucro que desqualifica o indivíduo, tornando-o um simples objeto, um simples numerozinho desprezível e vulgar. O modelo capitalista precisa desqualificar e adoecer, eis sua real fonte de lucro.

A  Medicina, desde algum tempo, vem sendo usada metaforicamente, como no exemplo da cobra: medicamento ou veneno, ou seja, ambiguidade para encobrir outras razões.  Escolas e cursos superiores particulares em cada esquina “sem rosto” para gerar lucros e formar gerações adestradas. Todos tem enormes lucros: “a industria da doença”, com laboratorios, planos de saude, farmacias, drogarias, “em cada familia um ou vários doentes”. E segue essa procissão impiedosa e cruel em nome da “bondade” e da “piedade”. O “rabo do cavalo” é o setor público, que pertence verdadeiramente à população, mas só cresce para baixo.

Doenças de massa, fome, miséria, causas naturais, desemprego, as grandes “jogadas” do capital especulativo que geram milhões de desempregos, angústia, desespero, cada vez mais doenças contra as quais a Medicina sozinha nunca pôde, nem dará conta. A Medicina é um alivio para a dor… a dor social.  A tragédia social é para ser combatida de frente pelo indivíduo, pelo cidadão, pela ação coletiva, para retirar o veneno da exploração de classes…

A nossa tarefa é envenenar as cobras, modificar, revolucionar, não acreditar em medicamentos que a cultura burguesa nos dá como líquidos e certos há séculos, como infantilizar-nos com suas verdades venenosas e absolutas.  Usemos o medicamento adequado: justiça social. Usemos a Medicina, a Educação, a Arte, a Cultura, a Justiça, no lugar onde devem estar. O veneno da corrupção, do lucro; da alienação; da estupidez pela força das armas, das guerras por mais poder, ditaduras econômicas e culturais,podemos jogar tudo isso no lixo com suas cobras venenosas.

É doloroso ver um trabalhador num corredor de um hospital público, totalmente desprotegido, sem nenhuma assistência, nenhum medicamento,   quase morrendo, cercado de uma multidão de trabalhadores iguais a ele, nas mesmas circunstâncias, sem a menor chance… e o médico impotente. Aquele trabalhador que deu sua vida pela familia, pela sua dignidade, nunca imaginou que isso acontecesse.  E o médico,  com seu baixíssimo salário,  vê todo dia isso acontecer…sem nada poder fazer.  Eis o que o modelo capitalista nos impõe: nossa frustração ou morte, venenos letais.  Contra o veneno… o antidoto, que é não se deixar levar pelas “bruxarias” “do não adianta fazer nada”, “é impossível fazer alguma coisa”, “é melhor negociar com o inimigo”, “vamos fazer o jogo”, “vamos manter a esperteza” , “os fins justificam os meios”,  “não adianta remar contra a maré”…   A “bruxaria” só existe se você acreditar nela.

Companheiro cidadão, coragem e esperança sempre, não se deixe envenenar. A sua voz é a minha voz, a sua angústia é a minha angústia, a tua força é a minha força.  O nosso grande medicamento? Lucidez e solidariedade.


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